O tratamento da obesidade vem passando por uma verdadeira revolução nos últimos anos. Com o avanço das pesquisas e o aprofundamento no entendimento dos mecanismos do apetite e metabolismo, surgiram novas opções de medicamentos para emagrecer que estão mudando a forma como pacientes e profissionais de saúde lidam com o excesso de peso.
GLP-1: O Hormônio que Mudou o Jogo
Os medicamentos mais promissores atualmente pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). O GLP-1 é um hormônio naturalmente produzido no intestino que atua no cérebro, reduzindo o apetite e promovendo saciedade, além de melhorar a secreção de insulina.
Entre os principais medicamentos já aprovados ou em fase avançada de testes, destacam-se:
- Liraglutida (Saxenda): foi o primeiro agonista do receptor de GLP-1 aprovado para o tratamento da obesidade. Mostrou eficácia na redução de peso corporal em cerca de 5% a 8% em estudos clínicos, além de promover benefícios metabólicos como melhora da pressão arterial e do controle glicêmico. Apresenta menor potência em comparação com moléculas mais recentes como a semaglutida, porém continua sendo uma opção válida.
- Semaglutida injectável (Wegovy, Ozempic): inicialmente usada no controle do diabetes tipo 2, passou a ser aprovada também para o tratamento da obesidade. Estudos mostram perda de peso média de 15% do peso corporal em 68 semanas.
- Semaglutida oral (Rybelsus): primeira versão em comprimido de um agonista do receptor de GLP-1, atualmente aprovada apenas para o tratamento do diabetes tipo 2. O seu potencial também na perda de peso mostra-se inferior à versão injetável, mas ainda clinicamente relevantes. Ainda assim, representa uma alternativa promissora para pacientes que preferem evitar injeções.
- Tirzepatida (Mounjaro): um medicamento mais recente que atua tanto nos receptores de GLP-1 quanto de GIP (polipeptídeo inibidor gástrico). Atulamente parece ser a opção mais potente para redução de peso, com estudos mostrando perdas até mesmo superiores a 20% em alguns pacientes.
Além do GLP-1: Novos Alvos Terapêuticos
Embora os agonistas de GLP-1 estejam em destaque, outras abordagens estão em desenvolvimento:
- Retatrutida: considerado um “triagonista”, atua nos receptores de GLP-1, GIP e glucagon. Estudos preliminares indicam potencial para perda de peso superior a 24%, algo próximo ao que se vê com a cirurgia bariátrica.
- Cagrilintida: um análogo da amilina, hormônio que também ajuda a regular o apetite. Pode ser usado em combinação com semaglutida para resultados mais potentes.
Segurança e Acompanhamento Médico
Apesar dos resultados animadores, esses medicamentos não são isentos de efeitos colaterais. Náuseas, constipação, refluxo e, em casos raros, pancreatite, são algumas das reações observadas. Além disso, é essencial lembrar que o uso dessas medicações deve ser sempre acompanhado por um médico, o qual irá realizar uma avaliação criteriosa para indicação adequada, monitoramento de efeitos colaterais e ajustes individualizados de dose. A mudança de estilo de vida com alimentação balanceada e atividade física regular deve sempre estar associada ao tratamento medicamentoso.
O Futuro do Tratamento da Obesidade
A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. A chegada de novas opções medicamentosas representa uma grande conquista, especialmente para pacientes que não conseguem alcançar ou manter perda de peso apenas com dieta e atividade física. Com isso, médicos têm hoje ferramentas mais eficazes para oferecer tratamento individualizado e com melhores chances de sucesso a longo prazo.